Cartas aos nossos empreendedores

Nosso roteiro para o mundo pós-pandemia

Foto de perfil do Rapha Avellar.

Rapha Avellar | 27 de Junho, 2021

Uma mulher trabalhando de máscara no escritório.

Passar por uma pandemia muda tudo. Esta é sem dúvida a primeira experiência do gênero para todos nós e este cenário traz reflexões muito profundas sobre o mundo dos negócios.
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Deixando de lado o horror humanitário e os grandes erros cometidos por nossos governantes, a verdade é que a pandemia foi uma espécie de "ensaio geral" para um novo mundo mais turbulento. Sem ela, todos ainda estariam caminhando para este futuro incerto, porém sem nenhuma referência, sem ter "ensaiado".
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A tecnologia está engolindo tudo e o mundo dos negócios avança em uma direção onde as empresas precisam competir com base em velocidade e escala.
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Nós precisamos nos tornar essa empresa. Tenho refletido muito sobre o assunto e três grupos de perguntas rondam constantemente meus pensamentos. Gostaria de dividi-los com vocês.
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1. O primeiro grupo é sobre construir uma empresa capaz de se adaptar rápido:

Será que estamos fazendo um bom trabalho para nos adaptar para o que vem no futuro? Como prever o que vai acontecer em um mundo onde tudo muda tão rápido? Certamente, é possível avançar com um melhor planejamento estratégico e de cenário, mas essa pergunta tem capacidade limitada para resposta.
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R: Atualmente minha visão é de que, no futuro, a capacidade de adaptação bem sucedida terá muito mais a ver com reagir muito, muito, muito rápido do que com prever o futuro de forma eficaz.
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2. Outro grupo tem a ver com a velocidade de reação à mudanças no comportamento do consumidor:

Dado que reagir muito rápido às mudanças no comportamento do consumidor é premissa para o sucesso, o que temos feito para dar cada vez mais autonomia para a ponta poder aprender e inovar? Isso feito, como criamos a consistência necessária para gerenciarmos nossa empresa em alto nível? Como mantemos os benefícios de um insurgente adaptável e os benefícios da escala? O que significa ser mais adaptável?
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R: Atualmente minha visão é de que ser veloz e adaptável é sobre ter as melhores pessoas e dar autonomia a elas. A única forma de fazer isso bem feito é com pessoas incríveis em todas as áreas da empresa, densidade de talentos é absolutamente crucial. Precisamos atrair, reter e dar oportunidade aos melhores de forma obsessiva, e manter eles focados no cliente, ao mesmo tempo que cortamos rapidamente todos aqueles que não estão comprometidos na mesma medida.
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3. O último grupo de perguntas tem a ver com manter o foco no cliente:

Como não perder o pulso do que realmente acontece na ponta? Como aprender com cada experiência e melhorar? Como coletar os dados certos destas experiências e tirar as lições corretas de cada uma?
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R: Atualmente minha visão é que a única forma é através da obsessão pela linha de frente, pela arena, pelas trincheiras, pela "rota" e não pelo PPT. Os insurgentes sabem que não existe estratégia a menos que seja traduzida nas rotinas e comportamentos das pessoas mais próximas do cliente. Precisamos ser implacáveis no trabalho e na valorização da linha de frente da nossa empresa.
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Agora é a hora de uma mudança radical. É a nova era de negócios que está se acelerando em direção ao presente. E, da forma mais simples possível, exige que se aprenda a competir com base em escala e velocidade, o que desafia mais de 100 anos do sistema de gestão profissional.
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Olhando o passado do mundo dos negócios, é possível identificar um ciclo: mais ou menos a cada 50 anos a natureza das empresas muda. As alavancas que as empresas usavam e que funcionaram bem nos 50 anos anteriores mudam e, então, deixam de funcionar.
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Essa nova era exige uma maneira diferente de ver a empresa.

Não é apenas sobre dirigir o negócio, mas sobre mudar o negócio constantemente. Portanto, é preciso dispor de tempo igual entre a entrega das coisas que já são conhecidas e o desenvolvimento das novas coisas para competir no futuro. E tanto entrega quanto desenvolvimento requerem escala e velocidade.
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Por fim, quero fazer todos refletirem sobre um grande erro.
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No mundo hiper dinâmico em que vivemos, seria um grande erro tentar dar algum tipo de certeza às pessoas.
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Quando, inadvertidamente, se cria muita estabilidade e certeza, o que retém recursos em silos e os impede de ir onde são necessários, tem-se um contexto que suga a  alma das pessoas envolvidas. Há um roteiro sobre seguir o fluxo, não arriscar, não fazer mudanças e chegar aonde precisa ir no mapa.
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A nova metáfora da carreira neste mundo hiper conectado e dinâmico é como um passaporte com selos. Minha visão sobre o futuro de uma empresa moderna passa longe de coisas como "plano de carreira"... e se parece muito mais com algo como:
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“Bem-vindo à organização. Não tenho ideia do que você vai fazer especificamente em um mês, mas aqui está o mundo. Viaje por ele, colete o maior número possível de carimbos de passaporte e comemore o sucesso de cada equipe a que você se juntou. A propósito, não posso lhe dar um mapa porque você terá que navegar, mas aqui está uma bússola. E aponta diretamente para nossa missão e princípios. Siga isso e você chegará ao lugar certo”.
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É preciso se mover para este destino. Este é o novo roteiro.
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Que essa sequência de e-mails seja um convite para pensarmos juntos em como seguir pra frente, sempre fazendo a diferença por onde passarmos.
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Rapha